Leituras – Philip Roth


“O tempo passa. O tempo passa. Tenho novas namoradas. Tenho namoradas estudantes. Aparecem antigas namoradas de há vinte e trinta anos. Algumas já se divorciaram numerosas vezes e outras têm andado tão ocupadas a afirmarem-se profissionalmente que nem sequer tiveram a oportunidade de casar. As que ainda estão sós telefonam-me para se queixarem daqueles com quem se encontram. Os encontros são detestáveis, os relacionamentos são impossíveis, o sexo é um risco. Os homens são narcisistas, não têm sentido de humor, são doidos, obsessivos, autoritários, grosseiros, ou então são muito bem-parecidos, viris e cruelmente infiéis, efeminados, ou são impotentes, ou são simplesmente demasiado estúpidos. Os de vinte e tal anos não têm estes problemas porque ainda têm amizades baseadas na universidade, e a escola é, evidentemente, a grande socializadora, mas as mulheres um tanto ou quanto mais velhas estão, à volta dos trinta e cinco anos, tão atarefadas com o seu trabalho que, descobri, algumas delas recorrem agora a casamenteiros profissionais para lhes arranjarem homens. E, de qualquer maneira, chegadas a uma certa idade deixam de conhecer novas pessoas. Como uma das desiludidas me disse: “Quem são as novas pessoas quando as conhecemos de facto? São as mesmas pessoas antigas mascaradas. Não há absolutamente nada de novo nelas. São pessoas.”

Philip Roth, O Animal Moribundo (2001)

 

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