Herberto Helder (1930 – 2015)


Ficas toda perfumada de passar por baixo do vento que vem

do lado reluzente das laranjeiras.

E crepitam-me as pontas dos dedos ao supor-te no escuro.

Queimavas-me junto às unhas.

E a queimadura subia por antebraço, braço,

ao coração sacudido. Eu – perfumado

e queimado por dentro: um laço feito de odor

transposto, ar fosforescendo, uma árvore

banhada

nocturnamente. Tudo em mim trazido

súbito

para o meio. Quando este saco de sangue rodava

defronte da abertura

prodigiosa.

                                  Herberto Helder, Última Ciência, 1988, pág. 14

Herberto Helder

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