não quero deixar o sono neste piano

preferia varrer de teclas a caminhada

e evitar os bocejos no vale

 

descobri que o verão não cabe inteiro nas minhas pernas

e as dunas não chegam a ser os seios

que remexem os sentidos

nem a curva dos pássaros chega a ser a sabedoria

que vou procurando debaixo dos seixos

 

o vento lambe-me enquanto escrevo

estas linhas

lambe-me para provar que existe

para me mostrar que existo

ou que é por aquele vale que devia seguir

se ali as pautas se compõem sob os meus pés

 

 

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