Mitos na criação literária…


 

Feodor Dostoyevsky

Em fins de Novembro, Dostoievsky concluiu que a forma de “confissão” (ou seja na primeira pessoa do singular) em que tinha escrito até aí Crime e Castigo, era absolutamente imprópria para a grande quantidade de material que gradualmente acumulara na mente. Assim, declarou a Vrangel que queimara “tudo” e que começara a escrevê-lo desde o princípio. “Trabalho dia e noite” – afirmava na mesma carta -, mas isso não é suficiente. (…) Um romance é algo de poético, que exige um espírito contemplativo e imaginação. E eu ando aflito por causa dos credores, que me ameaçam de prisão”. (…) Havia ainda os ataques epilépticos e, mas recentemente, em Fevereiro e Março, uma crise de hemorroidas. “Durante quinze dias” – queixava-se Dostoievsky –, “tive de permanecer deitado no canapé e não pude escrever. Deitado sempre, porque era impossível estar de pé ou sentado, devido às convulsões dolorosas que me atacavam mal me levantava do leito! (…) Tornei-me nervoso e irritável, transtornado. Não sei como isto acabará. Em todo o Inverno, não visitei ninguém e não vi nada sem pessoa alguma. Fui apenas uma vez ao teatro, à estreia de Rogneda. E assim continuarei até acabar o romance – se antes disso não me meterem na cadeia”.

David Magarshack, Dostoievsky, Projectos de casamento: duas jovens

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