O Decote


O meu amigo Vandelli tem uma facilidade masculina em ficar disponível para qualquer pessoa do sexo oposto. Uma mulher que lhe dirija a palavra, mesmo de longe, encontra sempre uma simpatia preferencial que deixa, nela, a permissão de mais simpatia. Algumas mulheres ficam logo a reluzir; outras preferem ser pessoas a serem mulheres.

Pode uma mulher perguntar-lhe, onde está a esfregona?, que ele se aproxima solicito, com ou sem esfregona, cheio de intenções horizontais (ele por cima) que mal se notam na capa de ambiguidade do rosto simpático. Sorri. E obtém sorrisos. E quando faz contacto leva a conversa miúda ao mais elevado requinte da palavrosidade com que se sustentam os lugares comuns.

A simpatia de Vandelli mede-se numa escala de vários impactos curvilíneos. A expressão da sua simpatia é proporcional à beleza do decote, cuja beleza é, por sua vez, proporcional à circularidade dos volumes. Um decote é uma paisagem pneumática, diz Vandelli.

Às vezes Vandelli acrescenta com ar sonhador, de quem já esteve mais acordado: a curvatura num decote é a promessa de movimento. O motor imóvel sobre o qual não é preciso teorizar.

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