William Faulkner – O Som e a Fúria


(…) Tenho que casar com alguém

Tiveste muitos Caddy

Não tive de mais tomas conta do Benjy e do Pai

Então não sabes de quem é e ele sabe

Não me toques tomas conta do Benjy e do Pai

Comecei a sentir a água antes de chegar à ponte. A ponte era de pedra gris, coberta de líquenes e impregnada de uma humidade persistente semeada de fungos. Em baixo a água estendia-se límpida e estática, sombreada, murmurando e batendo em torno das pedras em fugidios remoinhos de céu rodopiante. Caddy esse

Tenho de casar com alguém O Versh falou-me de um homem que se mutilou. Foi para a floresta e fê-lo com uma navalha sentado numa vala. Uma navalha partida atirando-os para trás das costas e com idêntico movimento atirou a pele ensanguentada para trás a direito não em arco. Mas não é isso. Não é não os ter. É nunca os ter tido e então poderia dizer Oh Isso Isso é chinês e eu não sei chinês. E o Pai disse é por seres virgem: não percebes? As mulheres nunca são virgens. A pureza é um estado negativo e como tal contrário à natureza. É a natureza que te está a magoar e não a Caddy e eu disse Isso são só palavras e ele disse Também a virgindade e eu disse isso é que não sabe. Não tem como saber e ele disse Sim. No momento em que nos apercebemos disso a tragédia perde todo o seu efeito.

William Faulkner – O Som e a Fúria, Dois de Junho de 1910 (1929)

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