Casa- Museu Miguel de Cervantes


Visitei este Verão (2011), com muito agrado, a Casa-Museu Miguel de Cervantes em Valladolid. O curioso desta casa é que foi habitada pelo famoso escritor apenas por um curto período de 3 anos, no tempo em que a Corte espanhola residiu naquela cidade, entre 1601 e1606. Miguel de Cervantes, como colector de impostos que era, acompanhou o rei D. Filipe III de Espanha e teve de alugar uma casa. Era um período crítico da sua vida, durante o qual a sua grande obra, o Dom Quixote de la Mancha, começava a ser editada.

Um grupo de literatos entusiastas mobilizou esforços para a constituição deste museu que viria a abrir portas em 1916. Algumas figuras patrocinaram a aquisição do imóvel que Cervantes alugara no início do séc. XVII. E, sem alterar substancialmente a divisão interna da casa, recriou-se o ambiente que teria a casa do escritor, com mobiliário e decoração da época, de acordo com as pistas deixadas pela história em cartas, diários e testamentos. Apesar da impressão de estarmos num ambiente relativamente encenado, não deixa de ser muito interessante a capacidade de nos levar a uma época e fazer-nos sentir mais próximos de um grande autor.

Ora, a cidade de Valladolid ganhou um museu interessante alicerçado apenas em três anos de residência do escritor na cidade. Cervantes é um nome universal que atrai muitos turistas, dando à cidade um… um… chamemos-lhe, um dispositivo turístico que permite concretizar as expectativas de muitos turistas, criando-se riqueza que fica na cidade. Se, por um lado, a Casa-Museu contribui para o reforço da mitologia em torno de Cervantes, o que favorece a literatura espanhola em geral, por outro, fornece à cidade mais um argumento para ser visitada e para ancorar durante mais tempo o turista. Uma relação simbiótica.

Coimbra é outra cidade que, por via da sua universidade, foi local de residência de numerosas figuras literárias, e outras, que também poderiam “alavancar” (curiosa palavra hoje tão usada) o turismo. A primeira delas é Camões, que terá estudado em Coimbra (alguns autores defendem inclusive que aí terá nascido) entre 1537 e 1542. Não menos importante é a presença de Almeida Garrett entre 1816 e 1846. Também Camilo Castelo Branco residiu em Coimbra, se bem por um curto período de1845 a1846. Mas Antero de Quental demorou-se bastante entre 1858 e 1864, tal como Eça de Queirós, de1861 a1866. Também Guerra Junqueiro de1866 a1877, ou António Nobre de1888 a1890. Isto só para apontar alguns dos mais antigos estudantes universitários que marcaram a história da literatura portuguesa.

Não seria fácil determinar em que casas residiram? Em alguns casos, seguramente que sim. O caso mais óbvio é a Torre de Anto, onde viveu António Nobre, que poderia ser transformada num “dispositivo” museológico capaz de atrair turistas pela vertente da literatura.

A mesa de trabalho de Miguel de Cervantes na casa que habitou em Valladolid.

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