Leituras – Gonçalo M. Tavares (4)


«Uma semana mais tarde, o pai de Klaus, sozinho, entrou na prisão. Trazia vestido um fato claro, uma gravata também clara. Vinha com passos vigorosos, vinha feliz. Sentou-se no gabinete das visitas à espera do filho.

Viu Klaus lá no fundo a aproximar-se. Vestido com o fato de preso, a aproximar-se. O pai de Klaus olhou instintivamente para a mão direita de Klaus: estava a sangrar. Não percebeu o que se passava. Continuou a olhar para a mão. Klaus tinha na mão um caco de vidro que apertava com força. Klaus foi-se aproximando. Estava agora a cinco metros do pai. O pai preparava-se para perguntar o que lhe tinha acontecido à mão: Klaus acelerou os últimos passos, levantou a mão direita, e com força cravou o vidro no olho do pai. Com toda a força que tinha.»

Gonçalo M. Tavares, Um Homem: Klaus Klump, Parte II, ponto 14

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