Casa da Escrita: Vasco Graça Moura e Hélia Correia


Ontem à noite estive na Casa da Escrita para ouvir os escritores Vasco Graça Moura e Hélia Correia. Creio ser difícil voltar a juntar dois autores mais distintos. E foi uma experiência interessante ver tão flagrantes as suas diferenças enquanto pessoas e enquanto autores.

Vasco Graça Moura veio preparado com apontamentos e livros para esta ocasião específica. Abordou as relações da sua obra poética com a música de uma maneira leve e simpática, expondo, num itinerário pré-definido nos seus apontamentos, um conjunto de referências e citações, e servindo-se mesmo de leituras exemplificativas de textos seus, por vezes com acompanhamento musical por si escolhido. Entre outros, ouviu-se Carlos Seixas e a fadista Marisa a cantar uma letra sua.

Hélia Correia disse que gostava muito de Coimbra. Disse mesmo que tinha uma relação especial com Coimbra por ter estudado cá, numa altura em que realizou uma pós-graduação na área, parece-me, dos estudos clássicos. E de improviso tentou dar-nos a conhecer a sua relação com a escrita. Deambulando por histórias, relatos de viagens, nomeadamente à Grécia, experiências pessoais, etc, admitiu que jamais poderia aceitar ficar numa residência de artistas por ser incapaz de produzir num determinado período de tempo uma determinada obra. Diz acreditar na “inspiração”, pelo que tem uma atitude de expectativa perante o que possa vir a acontecer no texto. Em suma, espera que o texto cresça de acordo com momentos de inspiração, sem forçar a sua construção segundo um programa ou segundo um cronograma. Diz, o que me custa a acreditar, que não costuma reescrever e corrigir: quando escreve, a frase fica pronta no sítio certo. Difícil acreditar em absoluto.

De um lado um autor lúcido quanto ao seu mapa de intenções, actuando de forma clara, equilibrada e eficaz, um verdadeiro clássico, no sentido da performance retórica clássica; do outro lado, também um autor lúcido mas sem a clareza e a eficácia clássica, apesar de tão amiúde reclamar “os meus gregos”, por se deixar à deriva num caos (dionisíaco?). Suponho que Hélia Correia tem consciência disso.

 

 

 

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