Era urgente calarem-se…


“Contra a poesia”, o mais belo texto sobre poesia escrito este ano: Filipe Nunes Vicente.

«Tem direito a dia mundial, a encontros de poetas, a entrevistados que dizem ser urgente a poesia. Inevitavelmente, como uma picada de peixe-aranha, declamam-na. Uma tristeza.

Dizem que Portugal é um país de poetas. Eventualmente, uma condição contemplativa propulsionada pela inacção e pelo atraso. Não sei. Em Tebas, Samos ou Alexandria, havia acção. Muita acção. Ou, pelo menos, não havia mais inacção do que no Funchal ou em Amarante. Inclino-me mais para a recusa infantil (mais uma birra de garoto) da sucessão dos dias, mas a poesia tem que ser muito mais do que isso. Ainda por cima a nossa pieguice acaba por produzir Florbelas e Adílias.»

Revista Ler, nº 91 (Maio), Faca de Seda, Contra a poesia, p.50

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