Leituras – Amin Maalouf


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«Não temos qualquer necessidade, é verdade, de conhecer as nossas origens. Nem os nossos netos têm a necessidade de saber o que foi a nossa vida. Cada um atravessa os anos que lhe foram concedidos, e depois adormece no seu túmulo. Que vantagem há em pensar naqueles que vieram antes de nós, já que para nós eles não são ninguém? E de que serve pensar nos que virão a seguir já que para eles, nós não seremos ninguém? Mas então, se tudo está votado ao esquecimento, por que é que fazemos coisas e porque fizeram coisas os nossos antepassados? Por que é que nós escrevemos e por que é que eles escreveram? Sim, nesse caso, para quê plantar árvores e para quê ter filhos? De que serve lutar por uma causa, de que serve falar de progresso, de evolução, de humanidade, de futuro? De tanto privilegiar o momento vivido, deixamo-nos cercar pelo oceano da morte. Pelo contrário, ao reanimar o tempo passado alargamos o espaço de vida.

Para mim, em todo o caso, a procura das origens surge como uma reconquista sobre a morte e o esquecimento, uma reconquista que deveria ser paciente, devotada, obstinada, fiel. Quando o meu avô teve, nos finais dos anos 1880, a coragem de desobedecer aos seus pais para ir prosseguir os estudos para uma escola longínqua, era para mim que ele estava a querer abrir os caminhos do saber.»

Amin Maalouf, Origens, Combates

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