Paul Auster: A História de Natal de Auggie Wren


 

«Antes, nessa mesma semana, um homem do New York Times telefonou-me e perguntou-me se eu queria escrever um conto que seria publicado no jornal, na manhã de Natal. O meu primeiro impulso foi dizer que não, mas o homem foi encantador e muito persistente, e no final da conversa, disse-lhe que ia tentar. Assim que desliguei o telefone, no entanto, caí num pânico profundo. Que é que eu sabia sobre o Natal?, perguntei-me. Que é que eu sabia de escrever contos por encomenda?

Passei os dias seguintes num desespero, guerreando contra os fantasmas de Dickens, O. Henry, e outros mestres do espírito natalício. A própria expressão “conto de Natal” tinha para mim associações desagradáveis, evocando medonhas exibições de pieguice hipócrita e melosa. No seu melhor, os contos de Natal não passavam de sonhos que realizam desejos, contos de fadas para adultos, e eu seja cão se alguma vez me permitir escrever coisas dessas. E, no entanto, como é que alguém se pode propor escrever uma história de Natal que não seja sentimental? Era uma contradição em termos, uma impossibilidade, um quebra-cabeças do piorio. Já agora, que se imagine um cavalo de corrida sem patas, ou um pardal sem asas.»

 

Paul Auster, A História de Natal de Auggie Wren

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