Enrique Vila-Matas: Escrever é deixar de ser escritor


«Um escritor deve ter a máxima ambição e saber que o importante não é a fama ou o ser escritor mas escrever, comprometer-se a dar vida a um nobre mas implacável amo, um amo que não faz favores e que arrasta os verdadeiros escritores pelas ruas da amargura, como muito bem se lê em Marguerite Duras: «Escrever é tentar saber o que escreveríamos se escrevêssemos».

Decidir escrever é penetrar num espaço perigoso, porque se entra num túnel escuro sem fim, porque jamais se chega à satisfação plena, nunca se chega a escrever a obra perfeita ou genial, e isso causa a maior das mágoas. Aprende-se melhor a morrer do que a escrever. E ser-se (…) escritor, quando já se sabe escrever, é converter-se num estranho, num estrangeiro: tens de começar a traduzir-te a ti mesmo. Escrever é fazer-se passar por outro, escrever é deixar de ser escritor ou de quereres parecer-te a Mastroianni para simplesmente escrever, escrever o que simplesmente escreverias se escrevesses.»

 

In AUTODAFE, a Revista do parlamento Internacional de Escritores, nº1, 2001

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