A Civilização


 

Vamos, diz a guerra

fungando bruma e precedentes

 

Não!, diz a bela deusa

aproando as pálpebras com esforço lânguido

deleitada com o ócio inane

que se apodera das ancas

 

Vamos, volta a guerra

agarrado ao canhão erecto

 

o homem de branco tenta levantar

o dedo litúrgico

 

Vai!, diz a guerra ao imperador

fuma estes charutos legislativos

com as parangonas que quiseres

 

a bela deusa abdicou do, Não!

entreabriu um olho e viu

futebol

 

o homem de branco arrasta a inteligência

na luz inerte e inumana dos bustos

 

a guerra grunhe, Vamos!,

ante a ejaculação de mísseis

e democracia

 

Não!, pensa o homem de branco

sozinho, longe da janela, longe

do mundo,

arrumado nas encíclicas

 

não conhece o imperador

mas o imperador conhece Deus

 

Vamos!, grita de tusa a guerra

trinca a língua, o clitóris, as narinas,

o sangue

 

e a deusa adormece de langor

sem chegar a gemer

pedro outono 

 

 

 

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