Leituras: Arturo Pérez-Reverte


  

«O mestre de esgrima levantou a cabeça; os olhos cinzentos contemplavam as nuvens que corriam na distância, como se nelas encontrasse algo de familiar.

– É possível que eu seja demasiadamente egoísta – disse ele. – Um velho egoísta.

O aristocrata fez uma careta.

– Muitas vezes isso tem um preço, meu amigo. Um preço muito alto.

Jaime Astarloa pôs as mãos de palmas para cima, resignado.

– Uma pessoa acostuma-se a tudo, especialmente quando já não há outro remédio. Se é preciso pagar, paga-se; é uma questão de atitudes. Num certo momento da vida toma-se uma posição, equivocada ou não, mas toma-se. Decide-se ser assim ou assado. Tomamos uma decisão definitiva e depois nada podemos fazer senão aguentarmo-nos a todo o custo, contra ventos e marés.

– Mesmo que seja evidente que se vive no erro?

– Nesse caso mais do que nunca. (…)»

 

 

Arturo Pérez-Reverte, O Mestre de Esgrima, Cap. IV

 

 

 

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