José Gil: literatura portuguesa


«Não há espaço público (em Portugal) porque este está nas mãos de umas quantas pessoas cujo discurso não faz mais do que alimentar a inércia e o fechamento sobre si próprios da estrutura das relações de força que elas representam. Os lugares, tempos, dispositivos mediáticos e pessoas formam um pequeno sistema estático que trabalha afanosamente para a sua manutenção. (…) passa-se o mesmo com a literatura (em particular com a ficção; o caso da poesia é precisamente muito diferente). Quando se organizam fóruns periódicos para se discutir “os livros do mês”, ou qualquer outro tipo de tema, acabam por se revelar lugares fechados, onde o público vai como a qualquer espectáculo. Estranhamente a nossa literatura também não modifica nem sequer desloca as vidas dos leitores: enquanto noutros países um escritor pode ter um real impacto na colectividade – o que acontecia mesmo com um autor médio como Montherlant em França, por exemplo, para não falar nos grandes, um Tom Wolfe nos Estados Unidos, um Gunther Grass na Alemanha, um Beckett em França, um Ítalo Calvino na Itália, etc. – alguém já ouviu dizer que a leitura de Saramago influenciou a sua vida? Ou que a maneira de pensar de Lídia Jorge modificou a visão que os portugueses (leitores) têm da história e dos homens?»

 

José Gil, Portugal Hoje, O Medo de Existir, O espaço não público

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: