Novo livro: DESTINO COIMBRA

Posted in Notícias on 22/04/2017 by Pedro Miguel Gon

O corrente desafio…

Posted in Leituras with tags , on 15/03/2017 by Pedro Miguel Gon

 

Conhecem o paralelo?

Leituras – Par Lagerkvist

Posted in Leituras on 14/03/2017 by Pedro Miguel Gon

Um homem de alta estatura, que o príncipe trata com extraordinária consideração, quase com respeito, acaba de chegar à corte. O príncipe disse que se sentia feliz por ter enfim a honra desta visita. Comporta-se com o seu hóspede como com um dos seus pares.

Ninguém na corte acha isto ridículo; há quem diga que o visitante é verdadeiramente um grande homem, o igual dum príncipe. Mas em lugar de ostentar um trajo principesco, anda vestido com muita simplicidade. Ainda não consegui descobrir o que tem ele de maravilhoso. Talvez venha a sabe-lo mais tarde. Diz-se que ficará por muito tempo.

Devo confessar que há nele qualquer coisa que inspira o respeito, uma dignidade mais natural que a da maioria das pessoas. A fronte é alta e o que se costuma chamar meditativa; o rosto, com a sua barba grisalha, nobre e verdadeiramente belo. Uma harmoniosa distinção emana de toda a sua pessoa, e as maneiras são duma calma soberana.

Como os outros, deve ter qualquer deformidade; pergunto a mim próprio qual seja.

O hóspede notável toma as suas refeições à mesa do príncipe. Falam dos mais diversos assuntos. Quando sirvo o meu senhor (que quer ser sempre servido por mim), verifico que o estrangeiro é um homem culto. O seu saber parece estender-se a todos os domínios possíveis, nada escapa à sua curiosidade. Tenta explicar tudo, mas ao contrário dos outros, duvida por vezes da justeza das suas próprias explicações. Depois de ter exposto longamente e minuciosamente um assunto, pode acontecer-lhe ficar silencioso e sonhador, para acabar por murmurar num ar pensativo: “Em suma, talvez não seja bem assim”.

Busco saber como deve ser considerada esta disposição de espírito. Pode-se ver nela uma espécie de sabedoria, mas também se pode concluir que ele nada sabe com precisão e que os seus elaborados raciocínios são completamente destituídos de fundamento. A minha experiência far-me-ia inclinar para a segunda hipótese. A maior parte das pessoas não se apercebe de que a impotência do espírito humano deveria inspirar uma certa modéstia. Talvez seja ele o único a compreendê-lo.

O príncipe não põe a si próprio tantas questões, e bebe as suas palavras, como se se encontrasse perante uma límpida nascente de saber e de prudência. Ao mesmo tempo que conserva a dignidade que convém a um senhor de estirpe tão elevada, está suspenso dos seus lábios, como um pobre colegial, dos lábios dum professor. Algumas vezes chama-lhe “grande mestre”. Pergunto a mim mesmo então qual pode ser a causa da sua insinuante humildade. O príncipe nada faz sem razão.

Par Lagerkvist, O Anão (1944)

 

 

Leituras – Lars Gustafsson

Posted in Leituras on 22/01/2017 by Pedro Miguel Gon

A Nancy é uma pessoa muito invulgar. Não compreendo como se tornou a tal ponto uma estranha para mim. Um ser fundamentalmente insatisfeito, que parece estar permanentemente a caminho de outro sítio, que não vê aquilo que tem (o Tom, que ela descura visivelmente e que está sempre a impingir aos outros) e que corre atrás do que não tem (um homem, calculo eu, mas receio que no fundo ela deseje antes uma amante), sempre a pensar em questões, movimentos, opiniões: pós-modernismo, desconstrutivismo, feminismo, o colapso iminente dos EUA. Tudo isto me parece, não a expressão de uma política reflectida, mas antes manifestações de uma amargura destruidora, uma espécie de movimento juvenil destrutivo, não-académico, uma fúria adolescente que é pouco atrativa numa mulher de trinta anos. Transitando constantemente de um homem para outro (cada um mais bem cotado que o anterior, de uma forma que se tem revelado muito favorável à carreira dela), de universidade para universidade (cada uma, também, mais prestigiante que a anterior), conseguiu nunca desenvolver uma personalidade própria. Não passa de um espelho complacente das ideias que várias pessoas em volta dela, principalmente homens celebrados, fazem incidir sobre a sua superfície.

Lars Gustafsson, História com Cão (1993), 22. A Loja de Animais. A Tartaruga.

img_6697

 

Leituras – Milorad Pavic

Posted in Leituras on 22/12/2016 by Pedro Miguel Gon

Um livro pode ser uma vinha regada pela chuva ou uma vinha regada pelo vinho. Este, como todos os dicionários, pertence à segunda categoria. Um dicionário é um livro que pede pouco tempo a cada dia, mas que toma muito no decorrer dos anos. Não se deve subestimar tal perda. Sobretudo se admitirmos que a leitura é, de maneira geral, uma ocupação duvidosa. Pela leitura, um livro pode ser curado ou ser morto. Pode ser transformado, engordado ou violado. O seu fio condutor pode mudar de sentido, há sempre alguma coisa que nos escapa, perdemos letras entre as linhas, páginas entre os dedos, enquanto outras crescem entre os nossos olhos, como repolhos. Se o deixarmos de lado, arriscamo-nos a encontra-lo no dia seguinte como um fogão apagado sobre o qual mais nenhum jantar quente nos esperará. Além do mais, hoje em dia, os homens não dispõem de tanta solidão para que possam ler, sem prejuízo, livros e também dicionários. Mas tudo tem um fim – o livro é como uma balança: pende primeiro para a direita, depois para a esquerda para sempre. O seu peso passa, desse modo, da mão direita para a mão esquerda, e um movimento semelhante produz-se na cabeça do leitor – do domínio da esperança, os pensamentos deslocam-se para o da lembrança, e tudo se acaba. Na orelha do leitor talvez permaneça um pouco da saliva do escritor, trazida pelo vento das palavras com um grão de areia no fundo. Ao redor desse grão, como uma ostra, vozes serão depositadas durante anos, e um belo dia elas transformar-se-ão em pérola, em queijo de cabra negra ou ainda em bolha vazia, quando as orelhas se fecham como uma concha.

Milorad Pavic, Dicionário Khazar – Versão feminina (1984), Observações finais sobre as vantagens deste dicionário

img_2399

“O Limoeiro já tem amigos”

Posted in Notícias on 01/12/2016 by Pedro Miguel Gon

É já este sábado à tarde!

cde_v7_a4_web_1

 

Ver a página da CMC

Apresentação do livro “O Limoeiro já tem Amigos”

Posted in Notícias on 21/11/2016 by Pedro Miguel Gon

o-limoeiro-ja-tem-amigos

 

 

Chega finalmente a oportunidade de apresentar o meu mais recente texto.

O livro vai ser apresentado na CASA DA ESCRITA (Rua João Jacinto, nº 8 – perto da faculdade de Psicologia), dia 3 de Dezembro, às 16:00.

Estão todos convidados!

 

img_2184